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[Livro Das Virtudes] Arcanjo São Jorge

 
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NReis
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MessagePosté le: Ven Mar 20, 2015 10:03 am    Sujet du message: [Livro Das Virtudes] Arcanjo São Jorge Répondre en citant

Citation:
Hagiografia do Arcanjo São Jorge



I. A Amizade

Um relâmpago caíra muito próximo. Aterrorizadas, as crianças encolheram-se ainda mais nos braços das suas mães. Estas choravam, implorando clemência ao Altíssimo. Os homens criticavam-se, atribuindo uns aos outros a responsabilidade dos acontecimentos. Havia já seis dias que os elementos assolavam a cidade de Oanylone, com a fúria dos primórdios do mundo. Um céu negro como o breu, carregado de ameaças, colocava todo o seu peso sobre a cidade maldita. Entre o pequeno grupo que se refugiara no armazém de trigo, há muito vazio, o medo juntava-se à cólera, à fúria e ao desespero. Podia ver-se um homem que tinha parado de rir de Deus, logo que Este anunciara a destruição da cidade. E uma mulher que, com vergonha, repetia sem cessar as suas orgias luxuriosas com tantos homens e mulheres que não os podia contar. Ou ainda um jovem homem, que tivera o obsceno prazer de esmagar o crânio do seu irmãozinho, e que, agora tentava redimir-se tranquilizando as crianças reunidas na sala minúscula. Todos sabiam porque eram punidos, mas nenhum ousava admiti-lo, alguns procuravam mesmo culpar os outros na vã esperança de esquecer os seus próprios pecados.

Uma terrível rajada veio escancarar a porta, enchendo o débil edifício com um vento glaciar. Os seus alicerces tremeram quando o trovão se seguiu ao relâmpago, com uma força ensurdecedora. E fez-se silêncio. Certamente, o tornado rugia e o trovão grunhia, mas havia já seis dias que os cidadãos de Oanylone não conheciam mais que isto. Não, o silêncio não era o da natureza, mas sim dos humanos. Porque os refugiados ficaram em silêncio, paralisados pelo terror, vendo a sombra que se perfilava nos escombros da porta. Um homem, tão grande e maciço que teve de se curvar e encolher os ombros para entrar, aproximou-se deles. A penumbra deixava adivinhar o seu rosto enrugado e a sua barba espessa. A sua volumosa cabeleira prateada conferia-lhe um ar de sapiência, contrastando com a largura das suas mãos, que pareciam ser capazes de reduzir a pó até a mais dura das pedras. O seu olhar azul pálido, desgastado pelo tempo, parecia ainda guardar no fundo uma alegria infantil. O colosso vestia uma camisa remendada e desgastada pelos estragos do tempo. Um grande pedaço de pano, enrolado em torno das suas pernas, testemunhava a sua condição de desfavorecido. Deixou transparecer um ligeiro sorriso e todos os refugiados suspiraram de alívio. De seguida, disse com a sua voz cavernosa:


“Quando não há mais esperança, resta sempre a amizade.”

Então, uma velha mulher, de olhar duro, com uma vontade de ferro, aproximou-se dele e perguntou-lhe:
“E tu , estrangeiro, vieste como amigo? Porque esta cidade é dos homens e das mulheres cujas palavras são como o mel, mas cujos actos são como o veneno. Vivem em montanhas de ouro, e nada mais desejam do que elevar-se ainda mais na sua louca busca por saques. A vida dos seus semelhantes pouco lhes importa, tal é a sede de tesouros que os devora.”

“Eu sei”, respondeu o homem. “É por isso que vim. A riqueza do coração não pode ser comparada com as riquezas deste mundo desprezível. Levarão as vossas montanhas de ouro para a outra vida?”

“Não, claro que não”, respondeu-lhe a velha dama. “Mas as riquezas do mundo estão-nos interditas para o sempre? Devemos conformar-nos em viver como os animais para honrar a riqueza da alma?”

“A vida ensinou-vos a negar a vossa mão esquerda para usar a direita?”, perguntou o homem. “O mesmo acontece com os tesouros que Jah criou para nós. Que as riquezas materiais sejam vossas, porque Jah, por amor para com os Seus Filhos, lhos ofereceu. Mas não esqueçamos jamais que não há tesouro mais belo que a amizade.”

Então, um jovem levantou-se e perguntou-lhe: “Mas quem és tu, cujas palavras estão cheias de sabedoria?”

“Meu nome é Jorge”, respondeu.



II. A avareza

Nesse tempo, numa das sete colinas de Oanylone, um homem tremia mais que qualquer outro perante a cólera divina. Não temia pela sua vida, porque esta não tinha importância para ele. Mas prendera-se de tal forma aos seus bens que não podia separar-se deles. Enquanto a gente se massacrava e violava, ele saqueava as casas desabitadas e acumulava as riquezas até formar uma verdadeira colina de metais preciosos, de tecidos delicados, de pratos suculentos… Decidiu construir uma torre tão alta, tão larga, tão sólida que poderia armazenar aí os seus bens acautelando-os da cobiça de terceiros. Contratara pedreiros e soldados, prometendo-lhes um salário sem igual, uns para construir a sua fortaleza e os outros para expulsar os pobres, os carentes e os famintos que aspiravam às suas riquezas. Estas riquezas cobriam as encostas da colina, iluminando as proximidades com uma luz dourada e aromas apetitosos. Apenas os pedreiros podiam pisar estes tesouros para construir a torre, mas logo que um deles abandonasse o seu trabalho para entregar-se à cobiça, os soldados trespassavam o seu coração com mil golpes de espada. E o homem rico alegrava-se com a ideia de poder guardar os seus bens até à sua morte, observando os pobres e famintos que rodeavam a sua colina e a perscrutavam com um olhar suplicante. Este homem chamava-se Belzebu.

Então veio Jorge, seguido por todos os desafortunados que se tinham cruzado no seu caminho. Logo que estes viram o mel, o leite, a carne assada, as roupas de seda e os cofres transbordando de pedras e metais preciosos, correram para pilhar a sua parte, não ouvindo os apelos que Jorge gritava. E os guardas desembainharam as suas espadas e deram a morte a quem quer que se aproximasse das riquezas. Quando o massacre terminou e as lágrimas se substituíram aos gritos, Jorge aproximou-se dos soldados, com um passo calmo e seguro. Um deles, particularmente zeloso, colocou-lhe a lâmina da espada debaixo do queixo, numa atitude explícita de promessas de violência. Mas Jorge disse-lhe:
“Porque mataste esta pobre gente?”. “Fui pago para isso”, respondeu o soldado. “E quanto te pagaram até agora?”, acrescentou Jorge interessado. “Nada. O senhor Belzebu pagar-me-á uma fortuna logo que a sua torre for construída e as suas riquezas lá estiverem armazenadas”, disse o soldado em tom firme. “Então, tu matas para servir uma pessoa que nada mais quer que conservar as suas riquezas e acreditas que cumprirá a sua palavra e te pagará logo, como te prometeu?”, perguntou-lhe Jorge: “Claro! Porque de contrário seria escravidão!”, exclamou o militar, inquieto ao ouvir tal questão. Então Jorge, concluiu: “Em verdade te digo, quem vive em prol dos bens materiais, em detrimento da amizade que cada um dos filhos de Jah deve ter para com o seu próximo, não merece nenhuma confiança. Invés de matar para defender a avareza de tal homem, pega nas riquezas que pisas e dá-as àqueles que verdadeiramente as precisam. Jah criou estes bens para que todas as Suas criaturas os pudessem encontrar e usá-los para viver protegendo-se da necessidade, não para que apenas um os desfrutasse mais que qualquer outro. “

Então, os guardas pousaram as suas armas, os pedreiros deixaram o seu trabalho, a gente aproximou-se e partilharam-se as riquezas consoante a necessidade de cada um. Belzebu gritou de raiva ao ver os seus bens escaparem-lhe, passando de mão em mão. Mas isto desenrolava-se precisamente no sétimo dia da punição divina sobre Oanylone e a terra começou a tremer. A torre em construção desabou e grandes fissuras abriram-se ao longo da colina engolindo avidamente os tesouros. A maioria das pessoas fugiu, incentivadas por Jorge. Mas alguns, continuaram a encher os seus bolsos de tudo o que conseguiam apanhar. Belzebu lutava contra todos aqueles com que se cruzava, tal era a sua cólera de perder o que lhe pertencia. A colina afundava-se pouco a pouco, mas Jorge viu uma criança chorando, deitada na colina, com a perna presa sob um cofre pesado. Correu até ele enquanto a terra tremia, ameaçando a cada instante afundar-se. Quando o alcançou, libertou-lhe a perna, carregou-o nos seus braços e tentou alcançar a borda. Então, algumas pessoas decidiram juntar-se-lhe para o ajudarem nesta tentativa desesperada, mas toda a colina afundou-se de seguida nas entranhas da terra, numa gigantesca explosão de chamas.

A gente ficou desolada pela tristeza de perder esses amigos. Perguntaram-se então se Jah não teria prazer ao fazer sofrer a Sua criação. Mas não era nada disso e compreenderam-no logo que viram uma doce luz apaziguante brilhar no buraco a seus pés. E seres que irradiavam calma e doçura saíram do buraco, munidos de majestosas asas brancas. As gentes reconheceram neles as pessoas que acabaram de morrer tentando salvar a criança. Mas viram particularmente a Jorge, elevado ao nível de Arcanjo, ter a criança nos seus brancos e devolvê-la à sua mãe, ilesa. Depois, todos voaram em direcção ao sol, onde Jah os esperava.




III. As línguas

Houve um tempo, quando o rei Hammurabi da Babilónia lutava em toda a Mesopotâmia para se tornar o rei dos reis. Um dia, as suas tropas chegaram à cidade de Mari e atearam-lhe fogo. A população estava apavorada e não sabia o que fazer para se salvar. Então, a Criatura Sem Nome veio sussurrar ao ouvido de um general babilónico e murmurou a ideia de exigir de cada pessoa um tributo em troca das suas vidas. Quanto mais cada um desse, menos risco correria a sua vida. Os senhores ricos da cidade, aqueles que até há pouco aconselhavam os Shakkanaku, os reis da cidade, foram os primeiros a aproximar-se, trazendo consigo pesados cofres repletos de riquezas. Mas uma velha mulher tinha como único tesouro alguns grãos de trigo. Os soldados riram-se na sua cara, afirmando que a doação de uma tal oferenda era uma ofensa ao grande general babilónico. Desembainharam as suas espadas e aproximaram-se da velha mulher, prestes a trespassá-la com as suas armas. Mas um homem alto e com barba prateada interveio. Um dos soldados ergueu a sua espada, mas não conseguiu derrubar o homem, como que impedido por uma força invisível. Então, este último abriu a boca e disse:

“Porque quereis ferir a esta mulher? Enquanto os ricos senhores de Mari vos obsequiaram com inúmeras riquezas, ela ofereceu-vos tudo o que possuía. Gozais da sua doação, mas ela doou o que para ela é essencial, enquanto eles nada mais deram que o supérfluo. Tomai estes grãos de trigo e levai-os convosco: parecer-vos-ão bem pesados no coração do Inferno Lunar”. De seguida, dirigiu-se aos cofres e distribuiu o seu conteúdo entre todos os habitantes mais pobres e mais famintos de Mari. Os guardas não sabiam o que fazer perante um homem desarmado, que não ousavam atacar e cuja força assentava na sabedoria das suas palavras. Desapontados, levantaram o acampamento e regressaram a Babilónia.

A viagem era longa até esta poderosa cidade. O calor era intenso e a humidade tornava o ar húmido e pesado ao longo das margens do Eufrates. Mas quando chegaram, qual não foi a surpresa logo que viram o homem da barba prateada esperando-os ao pé das gigantescas muralhas. O general perguntou-lhe:
“ Mas quem és tu, tu que falas com tanta sabedoria?”. “Sou o Arcanjo Jorge, modesto servo do único Jah, aquele que esqueceste em prol de legiões de falsas divindades e de uma vida de pecado”, respondeu. Acrescentou: “Segue-me até ao templo e verás por ti mesmo o julgamento de Jah, como eu o vi há já muito tempo”. Então, o general e seus guardas seguiram o arcanjo até ao rés-do-chão de uma gigantesca torre com patamares sobre os quais crescia uma vegetação florescente, prova da omnipotência do rei Hammurabi da Babilónia.

Então, São Jorge ergueu os braços e declamou:
“Desde sempre, os filhos de Jah falaram uma só e única língua, porque os irmãos e irmãs devem compreender-se para se amar. Mas isto quebra-se hoje, porque se esqueceram do seu Pai e do Seu amor. Um dia virá, em que os profetas se sucederão para recordar-lhes de onde vêm e para onde vão. Entretanto, vocês serão julgados não pela vossa fé, mas pelo vosso amor ao mundo que vos rodeia. Aprendei a conhecê-lo e aprendereis a amá-lo. Para isto, Jah, na Sua grande misericórdia, decidiu dividir a palavra de Seus filhos em múltiplas línguas, a fim de que vocês devam fazer o esforço para se descobrirem um ao outro.”

E São Jorge baixou os braços e a torre desabou numa imensa nuvem de pó. Desde este dia, a palavra dos filhos de Jah é múltipla e devemos aprender uns dos outros para viver. Fazendo isto, compreenderemos até que ponto as nossas diferenças são enganadoras e que todos nós somos irmãos e irmãs.

_________________
His Excellency NReis Ribeiro de Sousa Coutinho | Archbishop of Braga | Vice-Primate of the Kingdom of Portugal | General Secretary of the Roman Registers | Writer of the Saint Office | Translator on Villa San Loyats



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