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[Livro das Virtudes] Príncipe-Demónio Satanás

 
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NReis
Cardinal
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MessagePosté le: Lun Juil 03, 2017 12:14 pm    Sujet du message: [Livro das Virtudes] Príncipe-Demónio Satanás Répondre en citant

Citation:
    Demonografia de Satanás, Príncipe-Demónio da Inveja



    O Nascimento de Satanás

    Era uma vez, há muito tempo, quando Oanylone abrigava uma vida agradável e tranquila, um jovem de boa família chamado Gaël Sibarita apaixonou-se perdidamente por uma das mulheres mais bonitas da cidade. Ela chamava-se Aurora. A cor dos seus cabelos loiros era igualada pela clareza dos seus olhos azuis e a sua gentileza e benevolência eram conhecidas por todos. Gaël começou a fazer-lhe a corte assiduamente e a bela Aurora não lhe ficou insensível. Depois de algum tempo, ela aceitou com prazer oferecer a sua mão a Gaël, que amava secretamente do mais profundo do seu coração desde há muitos anos.

    Os anos passaram-se e o casal era muito feliz. Mas Aurora não parecia ser capaz de ter um descendente. Ela sentia-se culpada por não ser capaz de dar ao seu marido o filho que tanto esperavam. Ela foi ver os melhores curandeiros de Oanylone e todos lhe prodigalizaram preciosos conselhos. Mas o tempo passava e nada acontecia, não conseguia gerar.
    Então Aurora rezou com toda a sua alma, de todo o seu ser. E a mulher, nas suas orações, apesar de ter um coração tão puro como a água de um rio, não pôde deixar de pedir, a qualquer custo, um filho. Ela estava disposta a tudo para tornar Gaël feliz e orgulhoso dela.

    O seu desejo, tão intenso, deve ter dado resultados, pois desta feliz união nasceu, nos primeiros dias da Primavera, uma criança de manifesta beleza. Uma cabeleira negra como ébano, olhos de um verde jade: foi a felicidade desta boa gente e o orgulho dos habitantes dos arredores. Ao ver este bebé que jamais se fartava do peito da sua mãe, Gaël decidiu então dar-lhe o nome de Satanás. Aurora e Gaël esqueceram rapidamente aqueles anos de tormento e beneficiaram de Satanás, o menino-rei desejado por tanto tempo.

    Os primeiros anos da sua vida a três foram abençoados. Tudo parecia ser propício a uma felicidade sem limites. Gaël tinha êxito nos seus negócios e ia constantemente ganhando mais dinheiro. Aurora era uma dona de casa ocupada e uma mãe amorosa. O próprio Satanás era uma criança viva e curiosa. Ele interessava-se por tudo e não importava que cometesse alguns disparates ou não, todos lhe perdoavam continuamente seus erros.
    Mas tal felicidade não poderia durar eternamente. Assim, quando Satanás atingiu as suas doze primaveras, Aurora subitamente ficou gravemente doente. Depois de vários meses de sofrimentos atrozes, ela morreu sem que ninguém a conseguisse salvar. Gaël, louco de amor e de tristeza, fugiu da vila e atirou-se do alto das falésias próximas de Oanylone.

    Satanás encontrou-se então sozinho, abandonado pelos seus carinhosos pais e contudo, percebia então naquele momento, em suas ausências, o quanto necessitava deles. Permaneceu naquela vasta mansão, herança envenenada de uma família destruída. Ele queria ir ao encontro da alegria da sua infância, custasse o que custasse. O jovem adulto colocou em mente levar tudo o que encontrasse em Oanylone e que tivesse um pouco de valor. Ele nunca estava satisfeito. Ele nunca tinha o suficiente. Nada do que adquiria encontrava graça aos seus olhos. Nada do que lhe oferecia a Vida conseguia preencher o vazio aberto que inspirava o jovem homem de olhar desconfiado.
    Ele mudou irreversivelmente e perdeu pouco a pouco o brilho infantil que a sua mãe lhe tinha transmitido.

    Os seus pensamentos sombrios e as suas dores infinitas atraíram a Criatura Sem Nome para perto desta criança. Vendo nele um hospedeiro predestinado a portar em si um dos pecados do mundo, ela acabou por sobrecarregar o jovem coração de Satanás com amargura e pesar, para lhe deixar uma inveja insaciável e inesgotável.




    Para sempre, riquezas acumuladas...

    Satanás ainda era jovem quando fez crescer escandalosamente o seu domínio, à custa dos camponeses da região. Ele virou-se contra eles e empobrecia-os sem remorso algum, reivindicando-lhes metade da sua renda e, apesar de ter ganho num dia o que seria suficiente para qualquer um para toda uma vida, mostrava-se sempre insatisfeito.

    O infortúnio destes homens regozijava-o, a desgraça dos madeireiros contentava-o. E, cada dia e a cada hora, deseja provocar ainda mais tristeza, ainda mais desespero, ainda mais rancor. Porque nada a seus olhos valia o que sentia nas profundezas do seu ser. Porque os seus sentimentos tinham-se transformado em ódio contra a Humanidade, contra aqueles que ainda poderiam aspirar à felicidade.

    Este era o seu alimento, a vingança contra a vida, a sua própria vida.




    E a inocência veio resistir-lhe...

    Num dia de Inverno, enquanto percorria as suas terras, Satanás viu uma pequena cabana escondida atrás de grandes árvores. Furioso por ver que alguns se escondiam e não lhe pagavam as dívidas que lhe deviam, ele abriu com um grande estrondo a porta. Diante dele, apareceu uma jovem menina de uma graça divina, com a pele leitosa e lábios vermelhos.

    Ele imediatamente soube que lhe devia pertencer, como todas as coisas belas deste mundo. Ele exortou-a então a segui-lo para que viesse ao seu domínio afim de que se pudesse casar com ele. Infelizmente para ele, Eleanor, pois esse era o nome dessa jovem, dedicou a sua existência ao Altíssimo e recusou casar-se com o belo e tenebroso Satanás. Ele decidiu então seduzi-la como anteriormente o fizera o seu pai Gaël com a sua mãe Aurora. Porque estava claro no espírito doentio do jovem homem que Eleanor teria a sua descendência. Mas Eleanor, diariamente, recusou os seus avanços, sendo eles doces, apaixonados ou de uma violência inegável. Cada dia, Satanás regressava a casa lívido de raiva e cada dia ele fazia executar um dos seus escravos.

    Na noite do nonagésimo nono dia, louco de fúria por ainda ser rejeitado por uma miserável, ordenou aos seus lacaios que a prendessem e torturassem antes de a queimarem viva. Estes últimos pertenciam à guarda pessoal do jovem senhor e trabalhavam em suas terras encarregando-se da recolha dos bens dos habitantes e de os fazer sofrer mil dores, se eles se recusassem. Fizeram então segundo a sua vontade.

    Os gritos de Eleanor encheram o domínio e a pobre ardeu durante horas. Ao cair da noite, sobre o cadáver da virgem ainda fumegante, Satanás recuperou uma cornalina cor de sangue que ela usava ao pescoço e que devia ser o seu único tesouro. Colocando o pingente sobre ele, mostrava assim orgulhosamente a vitória que obtivera contra a jovem rapariga.

    Satanás continuou o seu caminho até o Último Vício, até a aniquilação. Dois dias depois desse infortúnio, um dos seus tenentes de confiança, Simplicius, apaixonou-se por uma das mulheres que vivia na cidade. Não conseguindo seduzi-la, quis levá-la pela força, mas um homem interveio e arrancou-lhe o olho direito.
    Era Miguel.
    Humilhado, Simplicius advertiu o seu mestre Sibarita que, enojado com a raça feminina desde a morte de Eleanor, enviou todo um batalhão para prender a família de Emília.

    De seguida, ordenou aos seus capangas que fizessem vir, cada dia, uma mulher da cidade, para que se entregasse a ele e aos seus desejos. Todas aquelas que se recusassem, morriam. As outras viveriam ainda por algum tempo.

    Mas isso não bastava para o fazer feliz, e ainda queria mais: as mães, as virgens, os tesouros, os campos.... Nada poderia agradar Satanás e o seu corpo marcava-se cada vez um pouco mais das atrocidades que fazia suportar aos outros.

    O seu desejo não conhecia descanso. Os sofrimentos que suportavam os habitantes de Oanylone também não.
    Neste momento, Satanás não tinha nada de humano e a sua aparência bestial assustava qualquer um que cruzasse o seu caminho. Tumores deformavam a sua cabeça e cada pedaço da sua pele estava recoberto de cicatrizes, vestígios de impulsos sádicos.




    Jah castiga então os homens...

    Devemos saber que, naquele tempo, Satanás não era o único homem a abandonar-se aos pecados. A cidade de Oanylone, outrora tão próspera, tornou-se o Antro do Vício e a Criatura Sem Nome desfrutava o caos que ali reinava.
    Furioso, Jah decidiu então punir a raça humana destruindo integralmente a cidade de Oanylone.

    Alguns, então, que não entendiam o quão graves eram as suas faltas e que não podiam aceitar a ideia de deixar esta vida de doces sabores por uma decrepitude certa, decidiram fugir para escapar da Ira Divina.

    Outros, em número de sete, perfeitamente conscientes dos vícios que encarnavam, foram escolhidos pela Criatura Sem Nome. Eles pregaram, sobre o seu comando, a rebelião contra o Altíssimo e conseguiram reunir numerosos apoiantes à sua causa.

    Satanás, pregou sobretudo o seu ódio. A sua energia decuplicada pelo apoio da Bestia Innominata, levou-o a infundir a cada um o desejo que todo o homem tinha que ter. Este desejo era a encarnação de toda a perversidade humana e Satanás personificava-o. Gritava-lhes para que desejassem, sempre e sem trégua. Exortava-os a desejar sempre mais, a entregar-se totalmente a um desejo, como um fim em si mesmo. O Príncipe Sibarita, conhecido como Sy, tão convencido dos propósitos que clamava, que convenceu as pobres almas. Ele exultava, ele rejubilava.

    Os seus olhos verdes de luminescência cadavérica cativavam a multidão, a sua riqueza e a sua beleza demoníaca tornaram-se os primeiros desejos dos seres que o ouviam. Todos elogiavam a sua presença e a sua virilidade. A multidão começou a desejar-se entre si. A Inveja fez-se o fel que escorria por todo o lado. Na enchente de vício permanente que inundava a cidade maldita, os horrores tornaram-se legiões sem nome e sobre a imundície putrefacta dos vestígios do passado, Satanás manteve-se orgulhosamente de pé com as outras seis encarnações demoníacas, em sinal de desafio contra o Único.

    No sétimo dia após a sentença de Jah, a cidade foi engolida e, com ela, as sete encarnações do pecado. Satanás não sentiu dor alguma, pois o seu espírito tinha tomado posse do seu corpo e estava envolto nos numerosos desejos que tinha em si. Depois de ter perdido a razão, ele não percebeu que não desejava nada mais. Ele tinha no seu ser o último desejo de querer desejar.




    Ele permanece para a eternidade com os seus pecados...

    Satanás foi enviado com os outros seis homens para a Lua e foi punido com uma eternidade de sofrimentos com o título de Príncipe Demónio.

    O seu corpo, já contundido ao extremo, transformou-se para reflectir a escuridão da sua alma.

    A sua cabeleira, que anteriormente era o seu orgulho, alongou-se e impregnou o seu corpo para formar nas suas costas duas grandes asas quitinosas semelhantes às dum morcego. As lágrimas dos seus belos olhos, que fluíam pela raiva e desejo irracionais, misturaram-se então com a pedra de Eleanor e acabaram por colorir pouco a pouco o seu corpo. A sua pele tomou, de seguida, uma cor ametista. A pedra de Eleanor incrustou-se na sua carne e assim incrustada, recordava-o para toda a eternidade do seu amor perdido.

    Cercou-se, nos seus tormentos eternos, de ouro, de prata e de jóias, dentre os mais requintados pratos, de homens e mulheres cujos corpos rivalizavam em beleza. Ele deixou cada um deles devorar com o olhar os seus tesouros e as suas maravilhas até que eles mesmos se devorassem interiormente.

    De facto, na sua crueldade absoluta, ele decidiu que quem tocasse naquilo que ele tinha armazenado, sofreria uma dor terrível. Assim, conservou o seu saque. Assim, poderia ver o seu próprio desejo nos olhos dos outros. E tinha prazer em observar o sofrimento que o roía a si mesmo.




    Ao Príncipe-Demónio opõe-se o Arcanjo...

    A Satanás, Príncipe-Demónio da Inveja, opõe-se Miguel, o Arcanjo da Justiça. Este último era, nos tempos da sua vida, o irmão da bela Emília, por quem se havia apaixonado um dos seguidores de Satanás.

    Além disso, encontramos Satanás a batalhar contra ele na célebre lenda do Monte de São Miguel que remonta à época em que certos bárbaros veneravam Deuses alcoólicos.

    Um deles, de nome Saathan honrava o seu Deus sacrificando-lhe crianças. Este bárbaro perseguia uma comunidade de fiéis que tentava fugir, mas que se encontrava bloqueada em plena floresta, perto do oceano.

    Preferindo morrer nos braços do oceano do que nos de Saathan, os fiéis rezavam a São Miguel para que preparasse a sua chegada.

    O Altíssimo, em desacordo com essa decisão, porque o Homem não tem que decidir a hora onde se irá reunir ao astro solar, ordenou-lhes por intermédio de um mensageiro celeste que construíssem uma paliçada com a ajuda de troncos de árvores. Quando ela estivesse construída, eles deveriam então acender uma grande fogueira a fim de que o Bárbaro descobrisse a sua posição.

    Os fiéis executaram a vontade de Jah e, depois de sete dias, a fogueira foi acesa. As tropas de Saathan chegaram então e começaram a atacar a paliçada. No momento em que a comunidade se preparava para se defender, munidos de pedras e lanças, o Arcanjo Miguel, vestindo uma armadura e empunhando uma lança e um escudo, apareceu no meio das chamas que haviam sido acesas algumas horas antes.

    O Santo Miguel lançou a sua arma sobre o horizonte e o mar, ergueu-se, engoliu as tropas do bárbaro.

    O Arcanjo Miguel reconheceu imediatamente em Saathan o seu inimigo íntimo. Os seus olhos verdes de luminescência cadavérica não deixavam qualquer dúvida. O pagão havia sido possuído pelo Príncipe Demónio e corrompido pelos mesmos pecados que Satanás: a inveja inalterável de ter o que desejava, sem que ninguém lhe opusesse resistência.




    No coração dos pecadores, ressoa o Canto de Satanás...

    Satanás, quando ainda era jovem e vivo, era conhecido por cantarolar a todas as horas do dia ou da noite, estas palavras.
    Estas palavras não foram perdidas, uma vez que qualquer um que deixe escurecer o coração pelo vício do desejo tem este refrão em mente:


    Citation:
    "O desejo procura,
    Um precioso coração, ele procura.
    Deixa-me ver se é o teu
    E então, ele me pertencerá.
    E se tu não o tens?
    O desejo procura,
    Tudo o que tens, ele procura.
    Deixa-me destruir-te para me enriquecer,
    Para te tornares meu."


Traduzido pelo Monsenhor Aranwae

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His Excellency NReis Ribeiro de Sousa Coutinho | Archbishop of Braga | Vice-Primate of the Kingdom of Portugal | General Secretary of the Roman Registers | Writer of the Saint Office | Translator on Villa San Loyats



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