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[LV] - Vol 2 - A Vida de Aristóteles (4 - O Cerco de Aornos)

 
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NReis



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MessagePosté le: Lun Juil 17, 2017 1:05 pm    Sujet du message: [LV] - Vol 2 - A Vida de Aristóteles (4 - O Cerco de Aornos) Répondre en citant

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O Cerco de Aornos – Capitulo I


Eu, Epistène, diante desta estátua de mármore que imortaliza a mão de Alexandre entrelaçada com a de Aristóteles, símbolo de amizade entre os dois homens, presente do discípulo ao seu preceptor que, ao descobrir, não pôde conter uma lágrima que vem macular a obra, recordo-me...

Lembro-me do tempo em que estava intimamente ligado ao serviço de Alexandre III, o Grande, e desejo testemunhar, no crepúsculo da minha vida, os eventos fabulosos dos quais fui por vezes testemunha, enquanto o exército macedónio alcançava Niceia e as margens do Cophen*, para além das cordilheiras Paropamísadas**. Nenhum de nós conhecia as regiões misteriosas e remotas às quais nos dirigíamos. Alexandre e eu apreciávamos conversar sobre as memórias de Ctesias, ou sobre os escritos de Heródoto, que era tudo o que dispúnhamos.

As condições da nossa viagem eram péssimas. Os soldados estavam exaustos tanto pelo calor como pela atmosfera insalubre. A humidade penetrava em toda a parte, a sujidade formava manchas amareladas nos rostos contritos dos combatentes, e o menor arranhão rapidamente se infectava. Faltava água potável, e a comida apodrecia em poucos dias. Alguns contraiam febres mortais, o que fazia com que os seus humores jorrassem em torrentes por todos os orifícios dos seus corpos e acabavam por vir a falecer. O desafortunado contingente devia avançar por caminhos indignos deste nome, transformados num lamaçal pelas chuvas diluvianas, que caiam, como uma fatalidade, no final de cada dia.

E finalmente, numa bela manhã, chagamos à cidade de Aornos, refúgio do povo Assaceno, que o nosso bom rei tinha por inimigo.
Quatro imensas torres argênteas formavam os ângulos de uma complexa fortificação que protegia uma cidade singular com a sua disposição. A cidade fora edificada sobre uma colina. No seu topo, podíamos distinguir o que deveria ser um templo, encimado por uma espécie de minarete flamejante de ouro e pedras preciosas, com vista aos terrenos escarpados da cidade propriamente dita.

Alexandre fez uma inspeção meticulosa das suas tropas, e em seguida fez um discurso grandioso e cativante sobre a abnegação à causa pública, para fortalecimento da sua moral. Ele então reuniu os seus generais para discutir a estratégia que tomariam. O estado-maior concordou que um cerco fosse organizado, e Alexandre fez esta observação cheia de bom-senso: “Nós ainda jogaremos alguns projéteis para que eles saibam que estamos aqui. Ordenem que as catapultas sejam instaladas!”. E assim foi feito, segundo a vontade do soberano.

A primeira salva de projéteis causou uma reação bem particular nos nossos inimigos. Nós observamos vir na nossa direção uma tropa de três cavaleiros que constituíam uma delegação Assacena. Um deles dirigiu-se diretamente a Aristóteles, preceptor permanente de Alexandre, homem de uma sabedoria incrível, e que após estes eventos me fez crer na santidade. O cavaleiro olhou fixamente para Aristóteles e proferiu este discurso assombroso. “Nós estávamos esperando por ti, vem. O Grande Manitou, a serpente cósmica, profetizou a tua chegada.” Em seguida, dirigiu-se a Alexandre nestes termos, que a deixaram todos consternados. “Soberano da Macedónia, poderás destruir Aornos muito em breve. Mas antes devemos cumprir o Grande Designio e mostrar a Aristóteles a nossa cidade e o seu funcionamento. Assim que ele retornar poderás tomá-la em assalto.” Alexandre havia expressado a sua desconfiança, temendo uma armadilha, mas Aristóteles tranquilizou-o nestes termos: “Se eu não satisfizer a minha curiosidade, não poderei morrer em paz.”

Alexandre: “Mas se fores até lá morrerás mais rápido.”

Aristóteles: "Se eu não for, eu morreria mais tarde. Mas muito pior que morrer, eu morreria insatisfeito. Em ambos os casos, eu estaria morto."

Alexandre:
“Tu verás.”

Eis que isso despertou também a minha curiosidade, e discretamente perguntei ao meu rei se poderia acompanhar o filósofo na sua visita, o que ele aceitou. Os Assacenos fizeram o mesmo.



*Rio Cophen: Designação helénica do rio Cabul, no Afeganistão
**Cordilheiras Paropamísadas: Designação helénica das cordilheiras do Indocuche, situadas na região do Indocuche, também chamadas de Cordilheira do Paropâmiso

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MessagePosté le: Lun Juil 17, 2017 1:06 pm    Sujet du message: Répondre en citant

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O cerco de Aornos - Capítulo II


A cidade de Aornos possuía uma mecânica social singular. O nosso anfitrião Assaceno comentava sobre a nossa visita, enquanto subíamos até ao topo da colina. E, à medida que avançávamos, eu via o rosto de Aristóteles transformar-se, como se tudo aquilo lhe fosse subitamente familiar. A cada intervenção do nosso guia, o filósofo respondia com conhecimento de causa e de maneira cautelosa.

Enquanto atravessávamos um labirinto sombrio de ruelas e becos, onde a cada canto, a cada sombra havia uma cena de assalto, de agressão, de um ato de violência, onde as prostitutas se aglomeravam em contorções obscenas e posições lascivas para seduzir os transeuntes[/color], o Assaceno disse que aquela era a zona D, o local onde vivia toda a ralé da cidade, e aqueles que não respeitavam as suas leis.

Eu atrevi-me a perguntar: «Mas porque não os expulsam?».

O nosso guia respondeu que o Manitou não o queria, porque nas próprias palavras daquele que era o seu governante: «Nós despopularíamos a nossa cidade.».

Disse-nos também que os Assacenos retiravam às mães da área D os seus recém-nascidos, para os colocar em quintas.

Aristóteles fez este comentário: «Não vejo nada mais que vício e miséria sórdida aqui».

À medida que atravessávamos através de uma extraordinária extensão de culturas diversas, trigo, milho, cevada, dispostas em múltiplos patamares, repletas de rebanhos de porcos e vacas, e onde podíamos distinguir alguns camponeses esqueléticos, exaustos pelo trabalho escravo e pelo sofrimento da fome, o Assaceno disse que aquela era a zona C, onde vivia a casta dos agricultores.

Eu ousei perguntar: “Mas por que os vossos agricultores estão famintos?”

O nosso guia respondeu-me que a casta superior vivia na opulência, e que a produção era insuficiente para assegurar a subsistência da classe trabalhadora.

Mas também clarificou que o Manitou recusava aos agricultores o direito de se instalar fora das muralhas, onde eles poderiam beneficiar de mais espaço para um melhor rendimento porque, nas suas palavras, «os agricultores deveriam ser rigorosamente controlados para evitar atos desviantes».

Aristóteles fez este comentário: «Isto é absurdo».

Enquanto tivemos que caminhar através de um bairro luxuoso repleto de construções grandiosas, dedicadas aos heróis militares vitoriosos, e que acolhia uma intensa atividade que teria que ser descrita como fútil, onde se ia e vinha sem aparentemente objetivo algum, o Assaceno disse que aquela era a zona B, residência da casta dos cidadãos-soldados. Eu notei que um grande número de autóctones portavam pequenos espelhos de cobre pendurados ao pescoço, e muitas vezes perdiam longos minutos contemplando os seus próprios reflexos.

Eu ousei perguntar: «Mas o que fazem todas essas pessoas que parecem ter prazer em contemplar a sua própria imagem?».

O nosso guia respondeu-me que os soldados não guerreavam há anos e que, por não terem outra coisa a fazer além de admirar as coisas da natureza, passaram a admirar-se a si mesmos, e a viver num escandaloso deboche de luxo e devassidão. Mas deve também ser clarificado que o Manitou proibiu que os soldados treinassem em tempos de paz ou mesmo portassem armas, porque, segundo as suas próprias palavras: «Não nos arriscaremos que o exército um dia se possa voltar contra nós».

Aristóteles fez este comentário: “É grotesco”.

Enquanto atravessávamos aquilo que parecia ser uma espécie de claustro dedicado aos mais importantes negócios da cidade, onde caminhavam magistrados de ventre proeminente, exibindo roupas repletas de joias brilhantes, e dando as suas instruções a companhias de mercadores, banqueiros, mensageiros vindos de todas as partes, o Assaceno disse-nos que aquele era o Cenáculo, ou a zona A, onde se reuniam os reis-filósofos que constituíam o governo da cidade.

Eu arrisquei-me a perguntar: «Mas o vosso governo é apenas uma questão de dinheiro, para que tudo seja relacionado com o mercado?».

O nosso guia respondeu-me que todas as questões políticas haviam sido abandonadas, e que ninguém se interessava por algo além da economia.

Disse-nos também que o Manitou tinha afirmado que o objetivo da cidade deveria ser acumular riquezas pois, nos seus próprios termos: “Para evitar que amanhã venha a faltar.”

Aristóteles fez este comentário: «É preocupante».

E finalmente chegámos ao topo da colina, diante do templo do Manitou.

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MessagePosté le: Lun Juil 17, 2017 1:06 pm    Sujet du message: Répondre en citant

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O cerco de Aornos – Capítulo III


O templo do Manitou da serpente cósmica, era um edifício imponente, cuja arquitetura não tolerava nenhum floreado. A decoração era de uma simplicidade extrema, e limitava-se a alguns baixos-relevos representando episódios da vida da serpente cósmica, divindade Assacena. Apenas a cúpula do templo contrastava com a austeridade do conjunto, carregada que estava de pedras preciosas, e cobertas de folhas de ouro. Nós penetrámos no edifício, seguindo o exemplo do nosso guia que nos conduziu a uma espécie de postigo, zelado por alguns indivíduos que pareciam ser monges. Estes interrogaram-nos sobre as nossas identidades, os nossos endereços, a nossa situação familiar, os nossos rendimentos, as nossas filiações, e várias horas depois, fomos finalmente autorizados a conhecer o Manitou.

O Manitou da serpente cósmica era uma personagem singular. Nós esperávamos encontrar um soberano, esplêndido na sua majestade, mas diante de nós estava um homem desprovido de carisma. O Manitou era pequeno, magro, de uma idade bastante avançada, e usava um ridículo bigodinho. Ele recebeu-nos friamente, dizendo: «Os estrangeiros não costumam ser bem-vindos aqui, mas para vós fizemos uma exceção, uma vez que fazem parte da profecia».

Eu estava ansioso por lhe colocar esta questão, mas foi Aristóteles quem a fez antes de mim: «Mas de qual profecia falam, afinal?».

O Manitou respondeu-lhe que ele havia visto num sonho que Aornos seria destruída por exércitos vindos do ocidente, mas que um filósofo chamado Aristóteles deveria primeiro visitar a cidade para perpetuar a sua memória nos seus escritos. Aristóteles afirmou que jamais usaria o seu precioso tempo para escrever sequer duas linhas sobre Aornos, «preferia morrer, ou melhor, prefiro que Aornos caia num esquecimento total». O manitou ficou aterrorizado pelas palavras do filósofo: «Oh, não, não, não! Não podemos ser esquecidos, assim! Nós somos o ideal político».

Aristóteles soltou uma gargalhada: «Urgh! Você está a brincar? Um ideal, uma grande pilhéria, isso sim. Não vejo nada além de pecado aqui.
Eu apenas vejo a luxúria das hordas desgarradas chafurdando no abuso obsceno das coisas da carne, que conduzem à irremediável contaminação da alma, tornando-se então como uma sombria paisagem povoada de fantasmas onde os corpos se misturam em posições indizíveis. Estes amaldiçoados vem e vão num sinistro ballet, em busca de novas e sórdidas experiências, para acalmar o apetite feroz que não cessa de crescer. Nada mais importa, a não ser a satisfação dos seus instintos mais básicos, e logo, essas obsessões tornam-se tão intensas que lentamente os leva a afundar numa loucura sombria.

Não vejo mais do que cólera, dos pobres coitados que se abandonam às suas tendências primitivas para erguer a voz ou o porrete contra os seus irmãos, e dos sinistros saqueadores que apreciam a violência das suas ações maléficas. Estes, impulsionados em breve pelas suas pulsões bestiais, ou pelas suas tendências à perversidade, deleitam-se de carne humana e bebem o sangue das suas vítimas, antes de semear a morte, esquecendo-se em seguida para sempre numa orgia de vísceras e de humores espalhados.

Percebo a avareza daqueles que desejam governar mas que nada fazem além de explorar, menosprezando os interesses mais fundamentais dos seus súbditos, daqueles que se comprazem na sua comodidade, ignorando as necessidades vitais dos seus irmãos trabalhadores, e que recusam um mísero naco de pão aos esfomeados. Estes são, de facto, verdadeira prova de tal egoísmo, em que a sua substância converge em direção a um único ponto central do seu organismo, e eles tornam-se atrofiados, retorcidos e corcundas, por obra do tempo.

Eu vejo a ganância e a extraordinária opulência dos cidadãos, que são gordos por abusar dos prazeres da mesa, rosados de beber muito vinho, e negligentes pelos seus excessos do sono. Estes logo verão as suas línguas cobertas por pústulas imundas, e incharão como balões, para estourar em seguida como frutas maduras, espalhando assim as suas pobres carnes aos quatro ventos.

Eu vejo apenas o orgulho e a vaidade dos cidadãos, que se regozijam na contemplação da sua própria imagem, e que se convencem a viver numa perfeição física, moral e política. Eles tornar-se-ão os mais feios, os mais disformes de entre todos à medida que envelhecerem. Eles enlouquecerão de desespero ao ser conduzidos ao estado de monstruosidades assustadoras, larvas viscosas que nada possuem de humano.

Eu percebo a inveja de uns pelas coisas dos outros, aqueles de baixo querendo possuir o mesmo que aqueles de cima, deleitando-se do que poderiam ainda tirar do seu próximo, e a crematística* tornando-se o instrumento deste sistema pernicioso. Aqueles que desejam cada vez mais possuir riquezas e possuir os outros, acreditando estar livres para desejar, tornam-se escravos dos seus desejos, submissos aos menores caprichos da fortuna: a sua vida torna-se um inferno, uma busca frenética e impossível por um número cada vez maior de coisas terrenas.

E finalmente, não vejo nada mais do que a acídia, o pior de todos os vícios, se é que há um, porque são estes cidadãos que, em nome de uma profecia obscura, se entregam à contemplação absurda do que creem ser o seu destino, isto é, desaparecer sob os golpes de espada de Alexandre; cidadãos que, em vez de agir, olham alegremente e passivamente; cidadãos que ignoram que a ação é produto do heroísmo, o mais nobre veículo das virtudes. Estes, na verdade, não merecem mais o nome de cidadãos, e portanto não merecem mais o nome de homem, eles são vegetais!»


E Aristóteles calou-se. O Manitou tinha os olhos arregalados, e quanto a mim, eu não sabia o que dizer depois de tal discurso. O tempo parou, e depois o soberano teve de repente uma reação violenta. Aristóteles e eu fomos expulsos de Aornos, após termos sido copiosamente insultados pelo pequeno rei, que entrou numa cólera histérica.



*Crematística: Diz respeito ao ganho e empréstimo de dinheiro, à acumulação de riquezas, ao comércio, aos lucros e a todas aquelas ocupações que atualmente identificamos como atividades económicas.

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MessagePosté le: Lun Juil 17, 2017 1:07 pm    Sujet du message: Répondre en citant

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O Cerco de Aornos - Capítulo IV


Excluídos de Aornos, Aristóteles e eu reunimo-nos com Alexandre, que esperava com o seu exército a algumas centenas de côvados das muralhas da cidade. O Rei não deixou de nos interrogar sobre as defesas do inimigo, algo para o qual, devo confessar, não prestei a mínima atenção. Este não foi claramente o caso de Aristóteles, que fez uma descrição detalhada do dispositivo militar Assaceno. Ele acrescentou que Aornos era uma cidade corrupta, que ignorava os princípios básicos sobre os quais se devia fundar qualquer comunidade, e que não era digna do nome de República. Ele concluiu que era necessário destruí-la, e fundar no seu lugar uma cidade virtuosa, e que se deveria, nas suas próprias palavras, "extirpar o erro dos espíritos fracos, para aí substituir a crença na virtude".

Tive repentinamente uma daquelas iluminações que fazem esperar uma pequena glória intelectual, e pensei que poderia apanhar o filósofo em erro. Observei com efeito que ele por vezes havia afirmado ao Manitou que a violência era uma coisa viciosa pois derivava na cólera, e no entanto ele encorajava Alexandre no seu empreendimento expansionista. Aristóteles respondeu-me um pouco secamente: «A nossa comunidade é gloriosa, porque é virtuosa. Esta constatação não é subjetiva, é uma realidade perfeitamente tangível, e que fundamenta o nosso direito de estabelecer, sobre toda a superfície do mundo conhecido, a nossa República, para a felicidade das pessoas. Os nossos princípios são a verdade, porque são retirados da ordem natural das coisas. Nós somos a República universal do espírito».
Eu decidi medir, no futuro, as minhas palavras, para evitar ser assim feito de tolo pelo filósofo.

Alexandre não queria um cerco de desgaste, porque no estado das nossas provisões, os atacantes teriam cedido antes dos sitiados. As nossas posições eram além disso muito más, uma vez que estávamos expostos às linhas dos arqueiros inimigos, e o Manitou estava, desde a nossa entrevista com ele, decidido a lutar. Para nos salvaguardar, tivemos que recuar, e retornar à lama e ao miasma do manguezal de onde viémos. Os homens não teriam durado três dias nestas condições, sob as nuvens de insetos e sobras, na atmosfera insalubre do pântano. O estado-maior optou portanto por um ataque nessa mesma noite contra as primeiras muralhas do dispositivo defensivo. Foi uma catástrofe. Centenas de soldados pareceram num ataque em vão. Os arqueiros e os lanceiros inimigos eram formidáveis, e os nossos homens nem sequer tinham tempo de levantar as escadas: eles caíam como moscas. O aríete teve igualmente uma difícil situação: quase metade do batalhão foi morta antes mesmo do engenho bater no portão. Os sobreviventes eram tão poucos que não eram capazes de manobrar o aríete, que logo ficou como uma baleia encalhada na ponte levadiça, e os soldados abandonaram-se à sua derrota.

Alexandre, que era elogiado pela sua misericórdia para com os seus homens, rapidamente colocou um fim ao massacre, e soou a retirada. O Estado-Maior foi de novo convocado, e vaiado pelo Rei da Macedónia. O soberano parecia muito arrependido pelo rumo que tomavam os acontecimentos, e confessou que não esperava tal resistência. Foi então que um general interviu, e lembrou Alexandre como foi vencida a Guerra de Tróia, e por qual subterfúgio Ulisses conseguiu introduzir guerreiros gregos na cidade. Aristóteles silenciou-o imediatamente: «Essas lendas são tontices politeístas, e os troianos não podem ter existido, porque ninguém poderia ser estúpido o suficiente para cair numa armadilha tão óbvia. Ele teria encontrado um troiano para prevenir os seus concidadãos da sua estupidez, e dizer-lhes que um cavalo de madeira de origem duvidosa, que soa oco, e que de resto era um objeto de muito mau gosto, poderia além disso ser um artifício infantil».
O general rebelou-se, afirmando que aquele desprezava assim as crenças seculares, e Aristóteles respondeu-lhe destemido que uma crença pode ser secular, que não a faz necessariamente verdade. Alexandre fez cessar a conversa que azedava, gritando que essas controvérsias não ajudariam.

Aristóteles fez então uma proposta surpreendente: «Eu vou desafiar o Grande Manitou em combate singular, e deste combate dependerá o destino da cidade».

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MessagePosté le: Lun Juil 17, 2017 1:08 pm    Sujet du message: Répondre en citant

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O Cerco de Aornos – Capítulo V


Depois daquela noite terrível em que as tropas foram em parte dizimadas, Aristóteles conversou com Alexandre e convenceu-o a desafiar o Grande Manitou em combate singular para conquistar a cidade. O macedónio não se mostrou muito entusiasmado por esta proposta, mas tínhamos sido muito prejudicados para realizarmos um novo ataque. Alexandre decidiu-se e, desse modo, Aristóteles e eu mesmo cavalgámos até aos portões da cidade trajados com tecidos brancos na esperança de não servirem de alvos fáceis às flechas dos arqueiros posicionados no alto.
Eu devo confessar ter pensado estar a correr para a minha ruína, naquele momento. Aristóteles chamou a atenção dos guardas: “Deixem-nos entrar, eu sou Aristóteles e venho falar com o Grande Manitou da Serpente Cósmica!"

Os portões da cidade abriram-se para nos deixar passar, e nós deambulámos através das ruas e das zonas até chegar à base do templo onde nos conduziram ao Manitou. Assim que chegámos diante dele, vislumbrei a cólera nos seus olhos, misturada com um pingo de orgulho e prazer, de haver dizimado uma boa parte das tropas de Alexandre ao repelir o ataque macedónio. O Manitou parecia esperar alguma coisa de Aristóteles, e era inegável que o grego usaria a sua sabedoria para aproveitar essa oportunidade; desse modo, ele invetivou o magricela num tom pouco amável:
«Grande Manitou, esta é a nossa proposta: você quer que eu escreva sobre Aornos, para que a cidade não tombe no esquecimento, ainda que a mim fosse preferível fazê-la desaparecer da face da terra. Eu desafio-o num combate de oratória na praça pública diante do seu povo para selar o destino de Aornos; se você ganhar, eu escreverei sobre a cidade, e se você perder, você e os seus homens deixá-la-ão para sempre!». O bigodudo foi apanhado de surpresa e respondeu com um sorriso um tanto doentio: «Que assim seja, se eu ganhar, você escreverá e partirá sem demora. Nós competiremos amanhã; até lá, desfrutemos de uma noite de sono no templo». Desse modo, passámos a noite no templo.

No dia seguinte dirigimo-nos à praça pública; no caminho, Aristóteles disse estas palavras: «aí vem o momento da verdade contra a persuasão, do raciocínio contra a retórica».
O local estava repleto quando chegamos e nós fomos empurrados por uma multidão vingativa. O filósofo caiu, e eu apressei-me a ajudá-lo a levantar-se quando o Grande Manitou chegou, ostentando um largo sorriso. Ele exclamou: «Onde está o seu Deus para evitar que caia de maneira tão ridícula?».
Aristóteles saudou-o e fez-me sinal para que me afastasse. Um guarda agarrou Aristóteles e intimou-o a responder antes de o atirar ao chão com violência. Eu tentei então juntar-me ao meu mestre, mas os guardas bloquearam-me a passagem. Ele levantou-se calmamente, determinado a não ceder à violência, mas era difícil não sentir-se frustrado.
O Grande Manitou finalmente disse estas palavras: «Por que não vos defendes em vez de continuar a sofrer? Vós haveis pedido um combate de oratória, então fale! Caso contrário, vou considerá-lo derrotado, e vós tereis que cumprir a vossa palavra de escrever sobre a cidade».
Aristóteles encarou o homem e respondeu-lhe: «Um discurso é verdadeiro por que humilha o seu interlocutor? Que glória há em divertir-se ao ver o seu inimigo caído no chão? É esta uma maneira de evitar o debate? O vosso povo tem um guia bem medíocre!».
O Grande Manitou, com o rosto rubro de cólera retrucou: «Para o meu povo, eu sou o sujeito e o verbo, eles não precisam de nenhum complemento!», ao que Aristóteles, com um ar de satisfação, respondeu: «Na verdade, se o povo é uma frase, o seu governante é o sujeito e o verbo, no entanto, é necessário que tudo esteja bem conjugado para que tenha significado, e a este todo, eu chamo-o Deus!».

Eu estava não muito longe da cena, Aristóteles enfrentava o Grande Manitou e ambos, cercados por guardas, enfrentavam-se diante de uma multidão tão viciosa quanto ávida por sangue.
Eu vi então a plebe aderir às palavras do filósofo, bem mais carismático do que o seu adversário, o qual, sob o seu bigode grotesco e a sua cara rubra de frustração, se ridicularizava mais e mais. Os seus olhos encheram-se de ódio e Aristoteles percebeu-o. Ele fez uma alusão a isso: «Que guia perde a sua temperança assim?».
Na sua clarividência, não lhe havia passado desapercebida a mudança da opinião do povo, amontoado à volta do espetáculo, então, ele prosseguiu de modo brilhante: «Povo de Aornos, olhai bem para o vosso Manitou, com o seu ar de grandeza e os seus ricos trajes, imagem da sua corrupção! Vejam o desprezo que ele vos mostra!».
O Grande Manitou sentiu então que o vento mudava, e num acesso de raiva, decidiu por um fim àquele duelo; ele pegou no punhal de um guarda e lançou-se contra Aristóteles, gritando alto com toda a sua voz: «Sendo assim, vejamos o que a tua sagacidade te fará!».
Utilizando a força e o peso do seu oponente, o Grego agarrou-lhe o braço e fê-lo girar no ar, defendendo-se assim do golpe mortal. O Manitou caiu pesadamente numa explosão de poeira e a multidão aplaudiu como um só homem.
Com toda a segurança da sua voz, Aristóteles proferiu: «Vejam com que manha o derrotado tenta triunfar!». Ele dirigiu-se então ao tigre de papel que se estendia diante dele: «Vós sois a vítima da vossa própria acídia que, na vossa mente tacanha, é o reflexo da vossa enfermidade! Aornos permanecerá a consequência da vossa eterna incompetência!».
Por fim, ele abriu os braços e, olhando em volta, dirigiu-se à multidão: «Aornos, acorda e não permitas mais que este infame vilão brinque contigo!».
O ditador insignificante levantou-se com dificuldade, e lançou um olhar carregado de ódio, antes de ordenar aos seus guardas que matassem Aristóteles. Foi então que a massa de espectadores, amontoada em redor do evento, tomou o partido de Aristóteles. Antes mesmo que os guardas fossem capazes de desembainhar as suas armas, eles foram atirados ao chão, e eu tive que me desviar rapidamente para evitar terminar pisoteado.

Assim terminou o cerco de Aornos, com uma vitória de Aristóteles sobre um tirano sem consistência e diante da cólera de um povo há muito explorado. O Grande Manitou foi, com os poucos guardas que lhe eram ainda leais, [color=orange]foram expulsos por uma multidão enfurecida. Quanto a Aristóteles, erguido como herói e triunfador do mal, foi levado pela multidão até às portas da cidade. Alexandre presenciou sem palavras este espetáculo, e teve, uma vez mais, que reconhecer o talento inestimável do seu amigo, levado pela sua Fé em Deus. Assim, o macedónio ordenou ao resto das suas tropas a tomarem Aornos. Aristóteles assegurou ao povo, convertido à palavra do Altíssimo, que aquela era uma benção disfarçada.



Traduzido pelos irmãos Ângelo de Montemayor e Bender.B.Rodriguez

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MessagePosté le: Lun Juil 17, 2017 1:09 pm    Sujet du message: Répondre en citant

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O Cerco de Aornos – Capitulo VI


Na noite dessa vitória pelo Verbo, Alexandre, acompanhado por Aristóteles e por mim, pudémos constatar o entusiasmo que reinava na cidade de Aornos. As palavras do profeta tinham sido tão fortes que todos os habitantes tinham vindo ver este homem, que todos já consideravam como um novo guia. Olhando para trás, ainda me lembro perfeitamente daquele sentimento de liberdade e de alegria que envolvia então Aornos. Os poderosos corruptos ainda presentes tinham sido expulsos pela plebe e os outros estavam todos reunidos no sopé do templo do Grande Manitu, onde Aristóteles, assim como Alexandre e os seus generais, tinham estabelecido o seu quartel general. Um representante foi enviado para se encontrar com o Grego e para discutir o futuro da cidade.

O homem que estava diante de nós era jovem, chamava-se Jeremias, estava vestido com roupas simples e havia sido escolhido porque sempre tinha entendido que Aornos caía em desgraça. Jeremias foi um filósofo e respirava virtude. Ele aproximou-se humildemente de Aristóteles e saudou-o com deferência antes de lhe dirigir estas palavras: «Aristóteles, a tua vitória abriu os nossos olhos, a cidade está agora limpa de toda a impureza com o desaparecimento do Grande Manitou. Nós confiamos na tua sabedoria para nos guiar no nosso futuro».
Aristóteles permaneceu em silêncio por um longo tempo. Alexandre não interviu, deixando ao filósofo o ganho daquela vitória, importante para o que viria em seguida. O grego usou todo o seu esplendor para responder a este que o encarava: «Aornos foi a capital de todos os vícios e de todos os pecados, a cidade foi guiada pela corrupção e pela preguiça. Doravante, tudo isto acabou. Uma vez tive um sonho, o de uma cidade ideal que eu acreditava ter encontrado ao chegar a Aornos, e qual não foi o meu terror ao ver o que lá vi. Agora, devemos construir esta nova vida em conjunto, e é por isso que irei escrever os preceitos que farão de Aornos, a cidade dos meus sonhos».

Nos dias que se seguiram, Aristóteles pediu que não deveria ser perturbado sob qualquer circunstância, e trancou-se num quarto com alguma comida e um pouco de água. Eu aproveitei esta pausa para caminhar pelas ruelas estreitas de Aornos e escutar o que lá se dizia. As pessoas tinham reencontrado a amizade, as classes tinham sido abolidas e todos partilhavam um único desejo: viver juntos em perfeita harmonia. Eu estava seguro que isto não duraria e que este estado era sobretudo devido aos últimos acontecimentos. Jeremias havia explicado às pessoas o que Aristóteles lhe tinha dito e todos esperavam por uma coisa: colocar em prática estes preceitos mencionados pelo Profeta. Alexandre, por outro lado, aproveitava os benefícios de uma vitória inesperada e tirava vantagem de um pouco de descanso, colocando os seus generais no comando para manter a ordem, em caso de necessidade. Em suma, posso dizer-vos hoje que esses momentos passavam na minha mente como um ponto de viragem na história de Aornos.

Exatamente sete dias após a vitória de Aristóteles, este último, que ainda não tinha dado sinal de vida durante todo esse tempo, deixou finalmente o seu retiro. Ele pediu a Alexandre que lhe trouxesse Jeremias e expôs-lhe os frutos do seu trabalho com um ar calmo e uma certeza no olhar: «Aornos será uma cidade ideal e perfeita, onde todos viverão em harmonia. O equilíbrio será tão sólido que ninguém o poderá quebrar, e todos serão recebidos como um irmão. Esta cidade será organizada de acordo com o princípio dos três círculos concêntricos, ou das três classes de cidadãos».
E Aristóteles explicou então cada etapa da organização da nova Aornos. Explicou que a cidade deveria manter o mesmo nome, para provar a todos que o coração do homem pode mudar e a sombra, regressar à luz. Jeremias e Alexandre beberam estas palavras cheias de sabedoria e todos nós entendemos que não havia outra alternativa senão aplicar esses preceitos justos.

Nós permanecemos seis meses em Aornos, ajudando Jeremias a implementar o que Aristóteles havia escrito, trabalhando incansavelmente para recriar esta cidade com a qual o profeta tinha sonhado e discutindo com todos o porquê de cada decisão. É fácil para mim hoje compreender como este trabalho foi imenso, pois no preciso momento em que escrevo estas linhas, Aornos ainda brilha com a chama que Aristóteles fez nascer nela. Alexandre tinha dado o seu aval a tudo, cada detalhe tinha sido aceite, e parecia que, de alguma forma, ele estava em dívida para com o seu amigo. Durante uma conversa, vendo quanto interesse eu tinha pelas sagradas palavras do profeta, Alexandre explicou-me que não podia frustrar o seu amigo no seu projeto da cidade ideal. Na verdade, ele disse-me que nunca o tinha visto tão determinado a destruir o vício antes de retornar para a cidade.

Durante estes seis meses, Aristóteles ensinou Jeremias e alguns outros habitantes da cidade as subtilizas da fé; ele vê-los entrever a beleza do amor do Altíssimo e ancorou firmemente nos seus corações o fervor e a amizade. Eles constituíam a classe de ouro, a dos reis filósofos, o terceiro círculo de Aornos, onde todos praticavam a virtude com grande humildade. Cada um se tornou um sacerdote e juntos, orientaram Aornos em direcção à luz. Foram eles, com a ajuda de Aristóteles, que constituíram os outros dois círculos: a classe de prata, composta por cidadãos soldados, e a classe de bronze, composta por produtores. Assim, Aornos conheceu uma era de esplendor, mesclada de fé e de amizade onde todos encontravam naturalmente o seu lugar. Assim que este assombroso trabalho havia sido completado e prosperava, nós decidimos retomar a longa viagem que tínhamos começado. Aristóteles, que tinha sonhado com esta cidade ideal, explicou que tinha que continuar o seu trabalho através dos Reinos, e Alexandre continuou a sua jornada com os seus exércitos. Deixámos assim Aornos nas mãos de Jeremias, e dos reis filósofos, para nunca mais voltar. A nossa jornada conduziu-nos aos portões de Atenas, os quais tínhamos deixado há muito tempo, com a alma cheia de memórias ricas e duradouras.



Traduzido pelos irmãos Angelo de Montemayor e Bender.B.Rodriguez

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MessagePosté le: Lun Juil 17, 2017 7:20 pm    Sujet du message: Répondre en citant

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Os Últimos Dias do Profeta


Eu, Posidonia, neta do profeta de Deus, Aristóteles, filha de Nicómaco, gostaria de vos contar os últimos dias da vida do meu Avô.

Após a morte de Alexandre da Macedónia, Aristóteles tinha sido forçado a fugir precipitadamente de Atenas. De facto, Alexandre sempre o tinha protegido, mas com o desaparecimento deste último, os seus oponentes não hesitaram em tratar o meu Avô como um louco perigoso por causa dos ensinamentos que ele pregava ao seu redor sobre a existência de um Deus único.

Os defensores da Religião oficial não o suportavam mais e, com a notícia da morte de Alexandre, eles libertaram todo o seu fel e começaram a incitar a população contra o meu Avô. A sua casa foi incendiada, e o meu Pai, Nicómaco, teve os seus olhos arrancados. Aristóteles decidiu então deixar Atenas para chegar a Cálcis. Uma vez instalados, eu juntei-me a eles, mas os últimos acontecimentos tinham assombrado bastante o meu avô e ele perdeu a sua força rapidamente.

Foi então que nós soubemos do nascimento do filho de Seleuco, o companheiro de Alexandre que sempre tinha sido o mais receptivo aos ensinamentos do meu avô. A sua esposa Apama acabara de dar à luz uma criança que tinha sido chamada Antíoco, o primeiro nome do pai de Seleuco. Os olhos do meu avô começaram então a brilhar e, como se iluminados por Deus, ele disse-me que tinha absolutamente que ver essa criança. Enviei então um mensageiro a Seleuco, convidando-o com o seu filho a vir fazer uma visita a Aristóteles.

Seleuco aceitou de bom grado e chegou um mês depois acompanhado da sua esposa e do seu filho. Durante este período, Aristóteles falou muitas vezes com o meu pai para o preparar para a sua futura missão: tornar-se o tutor do jovem Antíoco.

Mas a sua saúde caiu bruscamente de novo e o meu avô estava acamado quando entrei no seu quarto para o avisar da chegada de Seleuco. Nesse momento o seu rosto iluminou-se e ele encontrou subitamente a sua força.

Ele pediu-me para o ajudar a vestir-se e então juntou-se a Seleuco, que estava muito feliz em rever o seu antigo mestre da época, onde ele e Alexandre haviam sido seus alunos... Aristóteles abraçou-o e disse-lhe: «Seleuco, eu estou tão feliz por te ver novamente e tenho grandes coisas para te dizer, mas primeiro, mostra-me o teu filho».

Seleuco virou-se para Apama que aproximou Antíoco do meu avô. Aristóteles olhava-o atentamente e disse: «Jovem Antíoco, o teu destino será inspirado por Deus. Por ti, milhares de homens de povos diferentes se converterão à palavra do verdadeiro Deus. E entre esses povos será encontrado um no qual nascerá aquele que terminará o que eu comecei».

Em seguida, voltando-se para Seleuco, acrescentou: «Educa o teu filho na Fé em Deus, ensina-lhe as lições que eu te dei, prepara-o para a missão que Deus lhe confiou. Para te ajudar, eu dou-te o meu filho, Nicómaco, que será o tutor do teu filho».

Seleuco ficou sem palavras diante da profecia que o grande Aristóteles acabara de revelar, e que o seu filho tinha sido escolhido por Deus para uma grande missão. Aristóteles entregou-lhe um envelope lacrado com a menção "Para Antíoco" e declarou-lhe que deveria entregar a carta ao seu filho quando ele tivesse 15 anos. Seleuco agradeceu-lhe e abraçou-o calorosamente.

O meu avô disse então adeus ao seu filho; ele tinha-se preparado por um mês para essa separação, que ele sabia definitiva. Ele observou-os ir e, em seguida, tomado de uma grande fadiga, adormeceu.

Um pouco mais tarde nessa noite, o escravo Perfidias, proveniente de Atenas com uma ânfora de vinho, cujo estranho conteúdo cheirava a cicuta, saiu de casa com uma satisfação de um trabalho bem feito e de dever cumprido. Após sete dias de inconsciência, Aristóteles acordou enquanto eu estava a chorar ao seu lado. Ele abriu a boca e num sopro disse-me estas poucas palavras: «O meu caminho na Terra acabou. Ainda há muito que fazer, mas a parte que Deus me havia atribuído terminou. Antíoco fará germinar a semente que eclodirá Christos...».

Ele havia dito este último nome de forma quase inaudível, e a sua mente tinha-o deixado ... Eu não conhecia Christos e não sabia portanto de quem ele queria falar...

Hoje estou velho e irei em breve encontrar o meu avô.
Como Aristóteles havia dito, eu vi Antíoco, preparado pelo meu pai, tornar-se Rei de um grande Império, eu vi-o transformar em religião do Estado os ensinamentos do meu avô, eu vi milhares de homens de diferentes povos converter-se. Eu tenho visto a palavra de Deus espalhar-se no nosso mundo. Mas Christos eu não conheci...

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