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[Livro das Virtudes] Livro do Eclipse

 
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DuqueZezere



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MessagePosté le: Sam Mar 17, 2012 7:47 pm    Sujet du message: [Livro das Virtudes] Livro do Eclipse Répondre en citant

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Livro do Eclipse
Capítulo I - «A Lua»


1 A história que vos vou contar pode parecer surpreendente, mas depois de a lerdes, vereis que é verdadeira.

2 Estava um belo dia, quando eu passeava o meu cão ao longo de pequenos caminhos ondeantes por entre os campos. Eu tinha acabado de comer e procurava um local agradável para fazer uma pequena sesta. Nesta tarde de Maio, o céu estava de um azul puro, sem qualquer nuvem no horizonte. Os pássaros cantavam e o meu cão perseguia pequenos animais muito mais rápidos que ele por entre o milheiral. Ele latia com todas as forças na sua perseguição perdida.

3 O dia parecia belo, mas a presença da Lua no céu durante o dia preocupou-me. Enquanto o Sol era o local que acolhia os justos após o seu julgamento, a Lua era o local de súplica dos pecadores. Ao primeiro chamava-se Paraíso, enquanto que ao segundo se chamava Inferno. A aproximação destes dois astros divinos em pleno dia só poderia ser sinal de grandes desgraças.

4 Abaixei-me para observar uma pequena flor dos prados, mas a escuridão era tal que era impossível distingui-las. “A escuridão?”, pensei. Como poderia haver qualquer escuridão se estava um belo dia, e o Sol estava no seu zénite? Olhei para o céu e a minha expressão foi de horror: a Lua estava a cobrir o Sol, ofuscando a divina luz, fonte de vida, que ilumina o mundo. Só restava um sinistro halo cor de fogo, cercando o astro da noite, mostrando ainda a presença do astro do dia.

5 O meu cão parou de latir. Eu disse a mim próprio, para me tranquilizar, que era um daqueles eventos cósmicos de que os antigos tinham mantido registo, e que iria acabar logo. Mas eu não estava convencido. O halo de fogo dava ao eclipse uma atmosfera agonizante. Mas ele acabou por desaparecer quando a Lua terminou a sua conquista do Sol. Estava muito escuro. Até mesmo as estrelas decidiram desaparecer. Parecia que a Lua tinha decidido contrariar todas as regras da física.

6 Eu vi-a tingir-se de diferentes cores. No centro deste disco de escuridão, as cores moviam-se, como os pássaros o fazem no céu. Elas pareciam travar uma batalha, misturando-se umas com as outras, e separando-se abruptamente. O roxo fluía sobre o azul, evitando o turquesa, enquanto o verde fugia do vermelho que por sua vez era perseguido pelo amarelo. Por fim as cores acalmaram-se. Eu não conseguia deixar de olhar para a Lua, quando vi as cores repartirem-se pelo astro da noite, por fim ordenadas.

7 Elas ficaram assim pelo que pareceu uma eternidade, enquanto o meu cão choramingava, escondidos nos campos de milho. De seguida as cores saíram da Luz como flechas disparadas por um arco. Eram como seis raios de luz que dividiram o céu em longas filas coloridas. As cores juntaram-se num verdadeiro arco-íris que veio ter aos meus pés. Fiquei diante de uma ponte listrada de várias cores, formando um arco com a distância que me separava da Lua.

8 Eu olhei e então vi sobre as cores da ponte cair uma luz branca. Olhei para os meus pés e vi que eles tinham sido borrifados por uma suave luz de tom leitoso. Os seis raios, em todo o seu comprimento, foram tornando-se brancos a partir das extremidades, até toda a ponte ficar da mesma brancura.

9 Embora tomado por uma angústia indescritível, decidi colocar os pés neste arco celeste que ia até à Lua.


Sypous





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DuqueZezere



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MessagePosté le: Sam Mar 17, 2012 7:51 pm    Sujet du message: Répondre en citant

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Livro do Eclipse
Capítulo II - «O Nevoeiro»


1 Eu segui então pela ponte de seis cores em direcção à Lua, sobre um céu vazio de qualquer estrela. O trajecto pareceu-me demorar uma eternidade. Mas, quando eu começava a desesperar com a distância que ainda me faltava percorrer, eu perdi o equilíbrio. De facto, as riscas de cores da ponte que eu atravessava tinham-se misturado numa única luz branca. Essa, como a água, caiu sobre a Lua numa cascata leitosa. Eu cai no chão pateticamente e logo de seguida, algo irritado, levantei-me e sacudi o pó das minhas roupas.

2 A toda a minha volta vi uma névoa branca pouco convidativa. Estava quente e abafado e o ar era muito abafado. Tentei mexer-me, mas os meus movimentos eram lentos e difíceis, o nevoeiro parecia agarrar-se ao meu corpo. Os meus pés afundaram no solo macio. Eu estava na esperança que o vento levasse este nevoeiro. Mas este local tinha aspecto de não receber sequer uma brisa desde tempos imemoriais. Foi esta atmosfera que sempre reinou. Fiquei com a impressão de estar num túmulo.

3 Foi então que senti uma longa língua a lamber o meu peito. Fiquei paralisado com o medo. Olhando em volta, eu por fim consegui distinguir vultos. Eles eram muitos, mas pouco se parecia com humanos. Um deles, de estatura gigantesca, estava mesmo frente a mim, e eu consegui detalhar-lhe a feiura. Completamente nu, este demónio tinha uma pele lisa, coberto de suor, e de pernas arqueadas, entre as quais mostrava os seus atributos masculinos sem qualquer pudor. Mas de igual modo, o seu peito mostrava os atributos femininos. Eu esperava vislumbrar um rosto humano, mas em vez disso, a sua boca parecia-se com a de uma serpente, da qual saia a longa língua que me lambia.

4 O monstro disse então: “Eu sou Asmodeus, Príncipe da Luxúria. E Rafael, Arcanjo da Convicção, é o meu oposto. Aquele que tem prazer no abuso dos prazeres da carne e do total niilismo irá juntar-se às minhas fileiras de condenados.” Eu não sabia que resposta dar a tão horrível criatura, mas ele não esperou uma e afastou-se do meu caminho. Foi então que vi um longo corredor que cortava o denso nevoeiro. Eu não prestei mais atenção à criatura e decidi fugir destas bestas lascivas. O solo já não estava tão pastoso, mas sim mais parecido com areia. A cor branca estava também a desaparecer e a dar lugar a um azul-turquesa.

5 Depois de andar por tempo infindável, fui dar a uma gigantesca gruta. Pilares titânicos suportavam o tecto, que mal podia ser visto, tal era a sua altura. Um lago de dimensões homéricas ocupava o local. O seu líquido, sem qualquer ondulação, irradiado de um tom escuro de azul-turquesa das rochas circundantes. Não parecia haver vida neste local. Qual não foi o meu espanto quando vi nas pedras empilhadas junto à margem vultos mexerem-se. Os seus movimentos eram lentos e desajeitados, não muito assertivos.

6 Eles pareciam ter de fazer um esforço sobre-humano para se conseguirem mexer. Todos eles lamentavam pelo seu estado falhado e amorfo. De seguida um jacto azul-turquesa emerge da superfície do lago. Uma criatura enorme e escamosa com uma longa cauda de lagarto emerge do lago. Tinha uma mandíbula gigantesca e dois pequenos olhos cor de esmeralda que me fixavam. Ela disse: “Eu sou Belial, Príncipe do Orgulho. O meu oposto é Micael, Arcanjo da Caridade. Aquele que se sente capaz de viver fora da comunidade, ou de atingir o estatuto de ser divido, juntar-se-á às minhas fileiras.”


Sypous





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DuqueZezere



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MessagePosté le: Sam Mar 17, 2012 8:09 pm    Sujet du message: Répondre en citant

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Livro do Eclipse
Capítulo III - «A Planície»


1 Belial voltou a submergir nas águas turquesas, que voltaram a ficar estagnadas. Apercebi-me então de um pequeno barco na margem do lago. Como não o poderia ter visto antes? Levei-o, sem qualquer oposição das criaturas amorfas. Remei durante horas, os gigantescos pilares de rocha iam-se sucedendo uns aos outros. Comecei a mover-me mais depressa, mas a alegria depressa se desvaneceu dando lugar ao horror quando me apercebi que essa súbita velocidade se devia ao facto de eu estar a ser sugado num redemoinho. Não me consegui aguentar e cai para o fundo do buraco.

2 Quando acordei, com o corpo dorido, estava num corredor escuro. O chão estava coberto por uma alcatifa macia e quente, onde o púrpura da alcatifa combinava com o púrpura das paredes cobertas de ametistas. Decidi seguir por esta estranha sala. Ao longo do percurso fui passando por enormes riquezas de ouro, prata e outras jóias empilhadas junto às paredes. Banquetes de comida exaltavam um aroma delicioso. Criaturas de aparência humana, homens ou mulheres com esbeltos corpos pavoneavam-se diante mim. Mas o que vi mais foi uma enormidade de pessoas sentadas que devoravam todo este luxo com os olhos.

3 Perguntei-me porque não se banqueteavam com a comida à sua frente, mas logo percebi. Um dos condenados ousou pegar numa moeda de ouro, mas logo a largou com um grito de dor. Estes malditos estavam condenados a viver no meio do luxo, mas sem poderem desfrutar dele. Foi então que ouvi o som de asas e, antes sequer de me perguntar o que seria, pousou diante mim uma criatura hercúlea com grandes asas de morcego e pele cor de ametista. Ela disse: "Eu sou Satanás, Príncipe da Inveja. Miguel, Arcanjo da Justiça é o meu oposto. Todos aqueles que invejem as justas recompensas atribuídas a outros, ou que se aproveite dos bens ou boa vontade do seu semelhante, virá a juntar-se aos meus condenados."

4 Depois, sem dizer ou fazer mais nada, Satanás levantou voo. Eu continuei o meu caminho até ao fim do corredor, que tinha acabado de encontrar. A saída era uma pequena abertura encimada por uma arco de pedra negra, onde estavam esculpidos crânios. Eu ainda hesitei em atravessar, mas então lembrei-me do que estava atrás de mim e não queria para lá voltar. Atravessei a porta e deparei-me com uma planície que se estendia até ao infinito. De ambos os meus lados podia ver grandes montanhas vermelhas que circunscreviam com precisão os limites daquela planície.

5 Aquela imagem quase podia ser uma paisagem terrestre, não fossem as montanhas e a erva cor de sangue. O Sol queimava mais que o normal. Ele ocupava quase todo o céu e parecia colado à Lua. Era como uma noite estrelada que direccionava todo o seu brilho para mim. Vi então um vertiginoso pico azul que se elevava ao longe na planície, atingindo gigantesco astro do dia. A seus pés havia uma grande construção de madeira. Decidi avançar, a fim de chegar a este dedo de terra que apontava para cima. Mas, a meio caminho, percebi que era impossível alcança-lo.

6 De facto, em redor do pico azul, sobre centenas de quilómetros em seu redor, milhares de condenados debatiam-se como loucos. Eles não tinham a menor piedade entre si. Qualquer ocasião servia para arrancar um membro ao seu adversário. E quando os braços e as mãos não eram suficientes eles recorriam aos dentes. Perto deles estava um gigantesco touro que avançava até mim. Ele disse: "Eu sou Leviatã, Príncipe da Raiva. Gabriel, Arcanjo da Temperança é o meu oposto. Todo aquele que se entregar ao ódio para com os outros e que tente lutar contra a sua condição vem juntar-se às fileiras dos meus condenados.


Sypous





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DuqueZezere



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MessagePosté le: Sam Mar 17, 2012 8:13 pm    Sujet du message: Répondre en citant

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Livro do Eclipse
Capítulo IV - «As Galerias»


1 Então, Leviatã bate na erva sanguínea com o seu casco, e uma abertura aparece no solo. Vi então uma escada de pedra em espiral que descia pelas profundezas da escuridão. Ganhando coragem, aventurei-me, enquanto o Príncipe Demónio voltou ao combate. Desci prudentemente as escadas, pois não tinha luz para me ajudar a ver o caminho que ainda parecia ser longo. Para me ajudar, eu ia deslizando a minha mão ao longo da parede, podendo perceber pelo toque que as escadas estavam simplesmente escavadas na rocha.

2 Saltei de medo quando os meus dedos tocaram algo viscoso. Foi então que a escada começou a ganhar uma cor esverdeada. Voltei a olhar para a causa do meu susto e vi, com desgosto, um longo verme a sair da parede. Ele irradiava uma luz repugnante, tal como os outros milhares de criaturas similares que estavam igualmente a sair da terra. Começando a habituar-me a esta luz, perguntei-me que pecado seria punido neste lugar. Eu obteria a minha resposta no fundo das escadas, onde existiam dezenas de galerias escavadas no solo, e infestadas por estas imundas criaturas verdes.

3 Os condenados inchados, que se esforçavam para avançar com os seus corpos viscosos, capturavam e devoravam aqueles que passavam por eles. Eu tive de conter a minha náusea, quando uma nova galeria se abriu, deixando passar a enorme cabeça de um verme repugnante. Este disse: “Eu sou Azazel, o Príncipe da Gula. Galadriel, Arcanjo da Perseverança é o meu oposto. Todo aquele que abusa do prazer das necessidades primárias, não tendo medida nas necessidades à sua subsistência, juntar-se-á às minhas fileiras de condenados.”

4 De seguida ele acrescentou: “Segue-me.” Ele recuou e continuou a escavar a sua galeria. Segui-o por muitos quilómetros, principalmente devido às suas constantes mudanças de direcção. Então o túnel desembocou numa grande casa de madeira. Eu percebi que havia sido trazido à cabana no sopé da montanha da planície. Azazel, que esperava junto da saída, voltou escavando um novo túnel. Olhei em volta e percebi que estava num monte de terra. A toda a minha volta existia um abismo que parecia não ter fundo.

5 Mas certamente existiria um fundo, de onde se estendia uma multidão de pilares de madeira que chegavam a mim ou mesmo mais alto. No topo dos mesmos haviam condenados. Mesmo de pé, eles tinham de fazer um esforço incrível para não cair. Mas no entanto, o mais estranho era que todos eles seguravam nos seus braços tesouros de incontável beleza. Eles agarravam-se a essas caixas de ouro pesadas e sacos cheios de pedras preciosas como se as suas vidas dependessem disso.

6 Por vezes, um movimento em falso fazia-os deixar cair algumas das suas riquezas. Aqueles que cometiam o erro de as tentar apanhar acabavam por cair. O abismo mostrava um brilho amarelo pálido das incontáveis riquezas que tinham caído, levando com elas os condenados, pois nenhum deles parecia deixar cair sequer uma moeda. Alguns tiveram de segurar tanto tempo, que as suas pernas começavam a ficar atrofiadas. Mas eles não deixavam sair uma única queixa, com medo de deixar cair o seu ouro no abismo.

7 Então, descendo do tecto presa por um fio, uma aranha gigante coberta de ouro e com milhares de olhos de diamantes veio ao meu encontro. Chegando a mim ela disse: “Eu sou Belzebu, Príncipe Demónio da Avareza. Jorge, o Arcanjo da Amizade é o meu oposto. Todo aquele cujo egoísmo se iguala apenas ao desprezo pelos outros juntar-se-á às minhas fileiras de condenados.” Então, sem mais nada dizer, o Príncipe Demónio teceu uma ponte desde o meu pilar até à beira da plataforma de madeira.


Sypous





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MessagePosté le: Sam Mar 17, 2012 8:25 pm    Sujet du message: Répondre en citant

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Livro do Eclipse
Capítulo V - «O Pico»

1 No fim da ponte de teia estava uma pequena porta de madeira. Eu rodei o puxador, mas a porta não se abriu. Forcei um bocado e a porta lá se abriu. A porta não devia ser utilizada à uma eternidade. Mal a porta se abriu, deparei-me com uma massa de pedra azul. Passei o cabo e olhei para cima. O pico que eu tinha observado antes apontava até ao sol, que, de onde eu me encontrava, enchia o céu inteiro.

2 Eu não queria ficar no Inferno para sempre, então comecei a escalar o pico rochoso. Durante algum tempo, eu consegui mais ou menos ir avançando a um passo muito lento por causa das difíceis condições de progressão. Eu não era o único a tentar esta terrível expedição. Várias pessoas, como eu, esforçavam-se nesta prova difícil. Muitas delas choravam perante esta tarefa sobre-humana, e muitos acabavam por abandona-la.

3 Esses não encontraram forças para continuar e tentaram voltar a descer. Mas era mais fácil ir para o cume do pico azul, do que ir no sentido contrário. Todos aqueles que se resignaram e desistiram, acabaram por cair e esmagarem-se lá em baixo, com um sinistro estrondo. Cada queda parecia enfraquecer mais a vontade dos sobreviventes, mas eu agarrei-me à minha vontade e continuei. Acabei por ficar sozinho naquela terrível subida.

4 Quando eu pensava ter chegado a meio da subida, com os meus músculos a doerem-me ao ponto de me fazer chorar, eu vi uma cornija não muito longe de mim. Encantado com esta descoberta inesperada, eu dirigi-me até ela. Quando cheguei sem nenhuma ferida, finalmente decidi olhar para baixo, em direcção ao chão, para ver o quanto eu tinha escalado. Podem imaginar o meu espanto quando a Lua inteira apareceu diante mim, sobre uma espécie de fumo azul que se assemelhava a nuvens. Nenhuma montanha na terra podia ser assim tão alta. Eu estava feliz pela eficácia dos meus esforços, mas depois lembrei-me que ainda faltava subir muito até ao pico da montanha.

5 Então, deitei-me na borda para tentar descansar um pouco, quando ouvi alguém. Eu virei-me e vi um homem velho de barba desgrenhada que vertia lágrimas. O seu corpo estava tão seco que parecia esquelético. Ele disse-me: “ Eu sou Lúcifer, Príncipe da Preguiça. Sílfael, Arcanjo do Prazer, é o meu oposto. Quem entra em depressão espiritual, permanecendo indiferente, que não tenha mais gosto pela vida, e que ignora a sua própria satisfação juntar-se-á às fileiras dos meus condenados, que nunca chegam a atingir o Sol”

6 Vi uma caverna atrás dele. Ele fez-me sinal para ir até lá, sem dizer uma palavra. Um corredor lajeado dirigia-se em direcção a uma porta de metal. Procurei um puxador, mas não encontrei nenhum. Após procurar por muito tempo, acabei por me encostar a um canto, morto de cansaço. Eu ouvi um barulho baixo de uma campainha e a porta abriu-se, as duas metades da porta corrediça deslizaram para o lado. Surpreendido, eu olhei para o seu interior e vi um espelho magnífico, que reflectia a minha imagem como nenhum outro.

7 Entrei na pequena sala onde o espelho se encontrava, os meus olhos não deixaram de o fitar. Ouvi então uma voz calma que me perguntou: “Sobes?” Eu virei-me, estupefacto com a pergunta e vi uma pessoa sorridente esperando uma resposta. Encontrávamo-nos numa divisão minúscula onde só meia dúzia de pessoas cabia no máximo. A sala estava bem iluminada, ainda que a luz branca, que descendia do tecto, me parecia um pouco embaciada. Não sabendo o que dizer, respondi: “Sim”. Então, a pessoa pôs o dedo sobre um quadrado que dizia: “Ultimo Andar”. A porta voltou a fechar-se, as suas duas metades voltaram a juntar-se, e eu senti a divisão a subir.



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DuqueZezere



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MessagePosté le: Sam Mar 17, 2012 8:37 pm    Sujet du message: Répondre en citant

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Livro do Eclipse
Capítulo VI - «O Sol»


1 Assim que a pequena sala onde eu me encontrava com aquele estranho subiu, eu tive a desagradável sensação de ser mais pesado que o normal. Mas, quando ela parou por um momento, senti-me extremamente leve. Durante esse pequeno lapso de tempo eu não engordei nem emagreci. A porta abriu-se em duas, como eu havia visto mais abaixo. O desconhecido então virou-se para mim e disse: “Chegaste”. Ele tinha um sorriso de gentileza e doçura. Isso restituiu-me um pouco de vivacidade e finalmente ousei perguntar-lhe: “Mas quem és tu?”

2 Ele respondeu: Eu sou o barqueiro, o único anjo a manter-se fora do Paraíso para a eternidade. O meu papel é acompanhar até aqui todos aqueles que ainda não fizeram a escolha”. “Que escolha?”, exclamei eu, surpreendido. Mas, mesmo sem a minha resposta, ele esboçou um dos seus belos sorrisos e estendeu a sua mão em direcção ao exterior da sala para me convidar a avançar. Vendo que não me iria dar mais informações, eu decidi avançar. Mal sai, a porta atrás de mim fechou-se, as suas duas partes juntaram-se, e eu ouvi a sala a voltar para baixo.

3 Eu esperava encontrar uma paisagem paradisíaca, mas, no lugar disso, eu encontrei aquela detestável pedra azul que compunha o pico infernal. Ela tinha sido talhada de maneira a formar uma espécie de terraço. Perguntei a mim mesmo como podia sair daquele sítio, que eu pensava ser um terrível armadilha. Efectivamente, eu tinha chegado ao topo e não havia nenhuma hipótese de eu cair se experimentasse descer pela parede do pico. Quanto à estranha porta, eu não sabia como abri-la. Então, sentei-me a chorar, perguntando a mim mesmo que pecado horrível tinha eu cometido para ser assim punido.

4 Uns momentos depois, ouvi o som de batidas de asas. Olhei para cima e vi um espectáculo magnífico: sete anjos pousavam no terraço azul. Eu reconheci o Arcanjo Miguel, Santo Patrono da Justiça, armado, com uma magnífica espada na mão e um grande escudo maravilhosamente ornamentado. Mas os meus conhecimentos teológicos eram limitados e eu perguntei, sem vergonha, o que é que eu tinha feito. Esperava ouvir alguma censura, mas não foi esse o caso. Todos olharam para mim com um olhar cheio de doçura e amor.

5 Um deles avança em direcção a mim e diz-me: “Sou Jorge, Arcanjo da Amizade. E aqui estão Gabriel, Arcanjo da Temperança; Miguel, Arcanjo da Justiça; Micael, Arcanjo da Dedicação; Galadriele, Arcanjo da Perseverança; Sílfael, Arcanjo do Prazer e Rafael, Arcanjo da Convicção. Nós sete, sobre as ordens do Profeta Aristóteles e do Messias Cristo, estamos responsáveis por guiar os humanos, sobre o caminho da virtude, que os leva até Jah e ao Seu Paraíso.

6 Eu tinha à minha frente os sete humanos mais importantes da história, com excepção de Aristóteles e Christos. Perante tal privilégio, eu só pude ajoelhar-me aos seus pés, com a cabeça contra a terra. Mas Jorge disse-me: “Não te ajoelhes perante nós: nós somos humanos. Somente Jah merece isso. Nós somos simplesmente os seus humildes servidores, cumprindo a Sua vontade divina. Mas vem connosco, porque a hora da escolha está perto. Nós estamos aqui para te levar até ao Sol.”

Spyous



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Livro do eclipse
Capitulo VII - «Paraiso»


1 Os sete Arcanjos ficaram cara a cara comigo. Eles mostraram seus grandes sorrisos cheios de bondade, enfatizada por seus olhares, tão cheios de ternura. Pela primeira vez desde que eu tinha deixado o meu cão sozinho no campo, eu relaxei e permiti-me participar na serenidade que irradiava. Eles ajudaram-me a levantar e Michael, o mais robusto, içou-me em suas costas. Eu avermelhada com a ideia de montar um Arcanjo como um cavalo. Mas todos eles riram, vendo o embaraço no meu rosto. Esse riso não era de troça, mas cheio de amizade.

2 Então, sete pares de asas grandes esplêndidas e estendidas. Eles aproximaram-se da borda e deixaram-se cair. Eu uivava de terror, mas meu grito foi sufocado quando os Arcanjos retificado seu voo e partiram em direção ao sol. Eu podia ver debaixo de mim toda a lua e eu prometi para mim mesmo, se a ocasião me fosse dada a mim, para viver sempre na virtude, de acordo com os preceitos de Aristóteles e Christos, para nunca mais voltar para um lugar tão sórdido. Galadrielle concedeu-me outro sorriso e disse-me: "Está bem. Tu tomas-te uma decisão criteriosa. Podem os vivos fazem o mesmo. "

3 Eu perguntava-me como ele tinha sido capaz de conhece tão bem os meus pensamentos mais profundos. Mas o meu espírito foi alegrado com rapidez, ao ver o espetáculo que foi oferecido. Nós tínhamos acabado de sair da lua e voamos no espaço que o separa do sol. As estrelas foram oferecidas para o meu olhar como tantos espetáculos de magia. Eu poderia até mesmo distinguir muitas outras estrelas cuja existência eu não tivesse conhecido de, não sendo capaz de ser visto do mundo. Este sol imenso, que eu nunca tinha visto tão perto, ocupou a essência da minha visão. Eu senti-me como uma mosca, em comparação a uma vaca: minúsculo.

4 Nós chegamos muito perto da estrela divina com chamas de vários quilómetros de comprimento passou muito perto de nós. Eu perguntava-me se não estava indo para compartilhar com os sete Arcanjos um final bastante desastroso. No entanto, Michael, com quem eu estava sempre empoleirado, disse-me: "Não tenha medo do que vês aqui." Então eu vi que as chamas cobriam a parte do sol, dando lugar a um espetáculo esplêndido. Foi sob esta camada externa da chama que eu tinha intenção de falar desde a minha infância mais tenra, sem nunca saber do que consistia: Paraíso!

5 Nós pousamos em um lugar mágico. Tudo estava banhado com uma luz suave. Para onde quer que eu olha-se não encontrava a menor escuridão. Tanto quanto os olhos podiam ver, não havia habitação, nem o mínimo de construção de qualquer tipo. Aqueles que estavam com fome apanharam os frutos das árvores. Aqueles que apreciaram os prazeres do relaxamento estenderam-se na relva. Crianças brincavam inocentemente, rindo e correndo pela relva alta. Os sete Arcanjos disseram-me que me deixariam aqui pois a sua missão estava concluída. Eu agradeci-lhes muito e disse-lhes minhas despedidas.

6 Decidi caminhar e ver esse lugar encantado. Todos aqueles que eu conheci me desejaram as boas-vindas e sorriram para mim. Voltei a sorrir-lhes e agradeci. Todos respiraram bondade, felicidade e alegria. Quando me aproximei de uma pequena fonte onde a água parecia tão claro que eu não pude resistir refrescaste-me lá, notei dois homens profundamente em discussão. Eles notaram também e me acenaram para que eu me aproximasse. Percebi então que à minha frente estavam nada menos do que Aristóteles e Christos. Eles acomodaram-me com a maior gentileza. Eles perguntaram-me se eu gostava do lugar e se eu tinha estado em uma jornada feliz. Eu estava tão comovido que não conseguia responder. Gaguejei algumas palavras vagas, enquanto eu ainda tentava compreender o que estava na minha frente. Neste momento ouvi uma voz.






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Livro do Eclipse
Capítulo VIII - «A Ressurreição»


1. Aquela voz que eu ouvi, enquanto me encontrava na companhia de Aristóteles e de Christos, era calma e penetrante. Explicaram-me que era Jah, ele mesmo que me iria colocar a pergunta. A voz divina disse-me: “Tu, humano que tens o nome Sypous, tu vieste até mim, e descobriste tudo o que um ser humano poderá saber após a sua morte. Tu visitaste cada um dos sete infernos, onde tu encontraste todos os Príncipes-demónios, que foram te apresentados de acordo com a Minha vontade. O que é que aprendeste com esta viagem?”

2. Eu respondi: "Eu compreendi o significado da Salvação. Quando um humano viveu na virtude, conformando-se com a Tua divina palavra, transmitida pelo profeta Aristóteles e por Christos, o messias, tu o autorizas a aceder aos Teus lugares, ao Paraíso, perto do Sol. Se ele se desvia da virtude, recusando ouvir a Tua divina palavra, e ele se abandona aos prazeres terrestres, ao egoísmo, à tentação, as falsas divindades, a Tua infinita sabedoria leva-te a envia-lo para o Inferno, na Lua, para ser punido para a eternidade. Tu amas-nos, e nós devemos Te amar também”.

3. Jah me disse: "Agora, chegou a hora de fazeres a tua escolha. Tu podes aceitar a morte. Nesse caso, eu julgarei a tua vida, os momentos em que tu soubeste trabalhar para a virtude, e aqueles onde tu te desviaste dela. Se, então, eu te julgar e tu fores merecedor, tu te juntaras aos eleitos para uma eternidade de alegria e felicidade. Mas, se Eu te julgar e vir que a tua vida não foi suficientemente virtuosa, tu conheceras uma eternidade de tormentos no Inferno. Mas, se tu achas que o teu tempo ainda não foi concluído, que tu ainda não fizeste as tuas provas perante Mim, tu podes decidir voltar à vida”

4. Eu não sabia o que responder. Teria eu o mérito de me juntar ao Paraíso, ou de acabar os meus dias no Inferno? Então, comecei a ouvir vozes. Eram as vozes dos meus amigos que rezavam pela Salvação da minha alma. Apesar de eles estarem na Terra, eu conseguia-os ouvir. Reconfortou-me o facto de eles se apoquentarem com o que é que me ia acontecer. Cabia-me a mim de lhes mostrar que as suas preces não eram em vão. Eu decidi de aceitar a ressurreição, para poder viver na virtude e merecer o Paraíso. Eu devia-lhes isso, pelo menos tanto quanto eu devia isso a mim mesmo”.

5. Então, Jah me disse: “Desde que Eu decidi mudar o espírito dos humanos em alma, para que ela seja julgada aquando da sua morte, cada um deles percorre o mesmo caminho que te conduziu a Mim, e Eu ponha a mesma pergunta a todos eles. Alguns têm a mesma prudência que tu, outros acedem ao Paraíso, outros subestimam a qualidade da sua virtude e são enviados para o Inferno”.

6. Aqueles que aceitaram como tu, a ressurreição não guardam memória da sua viagem celeste. Assim, o seu comportamento só muda caso a lição tenha sido gravada no fundo dos seus corações. Mas, para que todos saibam qual a terrível sorte que lhes espera, caso voltem as costas ao Meu amor, eu deixo excepcionalmente a tua memória. Assim, tu poderás testemunhar a tua viagem. E esse testemunho durará durante séculos e séculos. Agora, tu sabes qual a tarefa que Eu te confiei, volta a tua vida, até que Eu te chame de novo para fazeres uma nova escolha.”

7. Então, a minha vista começou a ficar enevoada. Eu tinha somente tempo de ver uma vez mais Aristóteles e Christos e dizer até já, antes de perder a consciência. Quando acordei, estava na minha cama, com os braços em cruz. À minha volta estavam velas acesas e os meus amigos a rezar. Em lágrimas, mais visivelmente aliviados, contaram-me que eu já estava morte há nove dias. Eu levantei-me, fui até ao pé da janela, e vi que o Sol difundia a sua nova luz calorosa sobre o mundo. Eu contei aos meus amigos a minha incrível viagem e decidi de escrever tudo o que vivi durante a minha morte.


Sypous






Original em Francês: http://rome.lesroyaumes.com/viewtopic.php?p=304728#304728

Lavado em: http://rome.lesroyaumes.com/viewtopic.php?p=443635#443635
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